{"id":1477,"date":"2025-01-05T09:51:11","date_gmt":"2025-01-05T09:51:11","guid":{"rendered":"https:\/\/carmojr.com\/palavracantada\/?page_id=1477"},"modified":"2025-01-06T09:46:15","modified_gmt":"2025-01-06T09:46:15","slug":"figurativizacao","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/carmojr.com\/palavracantada\/figurativizacao\/","title":{"rendered":"Figurativiza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O enunciado mel\u00f3dico parece ser a mais extensa unidade da hierarquia mel\u00f3dica. Isto quer dizer que, partindo do elemento terminal, a nota, ascendemos na estrutura mel\u00f3dica passando pelo pulso, pela c\u00e9lula, e chegamos ao enunciado, para al\u00e9m da qual n\u00e3o encontramos mais estruturas baseadas em depend\u00eancias internas.<\/p>\n<p>O fato de constatarmos a exist\u00eancia de tal estrutura em in\u00fameras can\u00e7\u00f5es (todas as can\u00e7\u00f5es vistas at\u00e9 aqui) n\u00e3o implica que toda can\u00e7\u00e3o seja redut\u00edvel a ela. De fato, o universo da can\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais amplo. Como mostrou Tatit, a can\u00e7\u00e3o \u00e9 o lugar de encontro da forma mel\u00f3dica com a for\u00e7a entoativa. Esta \u00faltima, estreitamente vinculada \u00e0 situa\u00e7\u00e3o da enuncia\u00e7\u00e3o, rebate os princ\u00edpios de estrutura\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o que a forma mel\u00f3dica tenta lhe impor. A espontaneidade da fala \u00e9 o elemento primitivo e essencial da can\u00e7\u00e3o popular, e est\u00e1 na contram\u00e3o da forma musical. A can\u00e7\u00e3o popular parece ser, assim, muito mais a arena de luta entre for\u00e7as opostas que o resultado natural de uma compatibilidade entre letra e melodia.<br \/>\nDado que o objeto das nossa investiga\u00e7\u00f5es \u00e9 a natureza e os princ\u00edpios que regem a hierarquia mel\u00f3dica, focamos nosso trabalho na forma mel\u00f3dica, e todos as can\u00e7\u00f5es analisadas, bem como os processos fonol\u00f3gicos descritos, s\u00e3o exemplos do poder da estrutura\u00e7\u00e3o da melodia sobre o livre curso da fala natural e espont\u00e2nea. Mas precisamos nos deter, ainda que brevemente, sobre alguns exemplos de desconstru\u00e7\u00e3o das estruturas mel\u00f3dicas que decorrem da figurativiza\u00e7\u00e3o, at\u00e9 mesmo para tentar avaliar o poder descritivo da hierarquia mel\u00f3dica em can\u00e7\u00f5es que n\u00e3o se adequam ao modelo can\u00f4nico do enunciado mel\u00f3dico elementar. Mais que isso, acreditamos que a grade estrutural pode revelar aspectos importantes sobre o comportamento r\u00edtmico de melodias figurativizadas.<br \/>\nTatit mostrou que a fala est\u00e1 presente na melodia da can\u00e7\u00e3o popular por meio de um princ\u00edpio de deitiza\u00e7\u00e3o, pelo qual certas inflex\u00f5es entoativas s\u00e3o introduzidas em pontos chave dos segmentos mel\u00f3dicos. \u00c9 certo que n\u00e3o podemos avan\u00e7ar muito nesse terreno, uma vez que a grade estrutural n\u00e3o fornece informa\u00e7\u00e3o alguma sobre estas inflex\u00f5es. Em contrapartida, ela pode nos dar pistas importantes sobre o comportamento r\u00edtmico das melodias figurativizadas.<br \/>\nVejamos o caso de Conversa de botequim. Embora n\u00e3o apresente a regularidade de uma melodia tem\u00e1tica como, digamos, A banda ou Caju\u00edna, apenas para retomar can\u00e7\u00f5es j\u00e1 mencionadas aqui, Conversa de botequim exibe sim uma estrutura desviante, mas preserva elementos elementos estruturais importantes. As balizas harm\u00f4nicas do enunciado elementar est\u00e3o presentes aqui assim como a associa\u00e7\u00e3o nota-s\u00edlaba. De fato, este parece ser o comportamento r\u00edtmico predominante das melodias figurativas, o que mostra que, mesmo nesses casos, a hierarquia mel\u00f3dica \u00e9 uma ferramenta \u00fatil de an\u00e1lise.<\/p>\n<pre>&lt;048.01-04&gt;\r\nS\u00edlaba          seu gar \u00c7OM fa \u00e7o fa VOR de me tra ZER de pre ssa\r\n                U ma bo a ME dia que n\u00e3o SE ja re quen\r\nta dum p\u00e3o bem QUEN te com man TEI ga be um\r\nguar da NA po ewm co po DA gua bem ge LA da\r\n| | | | | | | | | | | | | | | |\r\nNota N N N N N N N N N N N N N Pulso P P P P\r\nCel C C\r\nEnunc E\r\n<\/pre>\n<p>Vejamos agora alguns casos extremos. A dicotomia entre forma musical e a for\u00e7a entoativa que adv\u00e9m da fala cotidiana est\u00e1 cristalinamente estampada em duas das mais consagradas can\u00e7\u00f5es de Raul Seixas, Gita e Ouro de tolo. Na primeira o componente lingu\u00edstico mostra-se subjugado \u00e0 forma musical, que exibe quase que didaticamente os elementos estruturais sobre os quais temos trabalhado at\u00e9 aqui.<\/p>\n<p>&lt;047.03-06&gt;<br \/>\nS\u00edlaba \u00e0s VE zes vo c\u00ea me per GUN ta<br \/>\npor KJE kjeu sou t\u00e3o ca LA do<br \/>\nn\u00e3o FA lo dja mor qua se NA da<br \/>\nnem fi co so rrin dwaw teu LA do<br \/>\netc&#8230;<br \/>\n| | | | | | | | | * * * *<br \/>\nNota N N N N N N N N N<br \/>\nPulso P P P P<br \/>\nCel C C<br \/>\nEnunc E<\/p>\n<p>J\u00e1 Ouro de tolo mostra a outra face da moeda. Aqui a presen\u00e7a da fala \u00e9 a tal ponto dominante que torna t\u00e3o dif\u00edcil quanto desnecess\u00e1ria qualquer representa\u00e7\u00e3o da melodia. Vale a pena observar, por\u00e9m, que apesar de hiperfigurativizada, Ouro de tolo apresenta ao menos dois dos tra\u00e7os da forma mel\u00f3dica: o alinhamento nota-s\u00edlaba e os dois acordes que servem de n\u00facleo \u00e0 c\u00e9lulas do enunciado. Ali\u00e1s, \u00e9 exatamente esta \u00faltima propriedade que cria o efeito de sentido de que a can\u00e7\u00e3o \u00e9 feita de frases mel\u00f3dicas, apenas que excessivamente longas e saturadas de s\u00edlabas. Assim:<\/p>\n<p>&lt;072&gt;<br \/>\nS\u00edlaba Eu de VI&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.por M\u00caS<br \/>\nEu de VI&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.se TEN e tr\u00eas<br \/>\nEu de VI&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.ma RA vi LHO sa<br \/>\nEu de VI&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..pe ri GO sa<br \/>\netc&#8230;<br \/>\n| | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | |<br \/>\nNota N N N &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;. N N N N N<br \/>\nCel C C<br \/>\nEnunc E<\/p>\n<p>Encontramos um contraste semelhante quando comparamos duas can\u00e7\u00f5es de Caetano Veloso, Lua de S\u00e3o Jorge, dominada pela forma mel\u00f3dica, e O estrangeiro, dominada pelo princ\u00edpio de figurativiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&lt;073.01-04&gt;<br \/>\nS\u00edlaba LU a de S\u00c3O jor ge<br \/>\nLU a des LUM bran te<br \/>\nA zul ver VE jan te<br \/>\nCAU da de PA v\u00e3o<br \/>\n| | * | | * * | * * | * *<br \/>\nNota N N N N Pulso P P P<br \/>\nCel C C<br \/>\nEnunc E<\/p>\n<p>Note-se que em O estrangeiro, assim como ocorre em Ouro de tolo, a satura\u00e7\u00e3o sil\u00e1bica n\u00e3o impede a can\u00e7\u00e3o de apresentar as balizas que determinam o enunciado mel\u00f3dico e o alinhamento nota-s\u00edlaba.<\/p>\n<p>&lt;074.01&gt;<br \/>\nS\u00edlaba OpintorpowgoG\u00c3&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;guanaBAra<br \/>\nEun\u00e3osoNHEI&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.DIselsob<br \/>\n| | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | |<br \/>\nNota N N N N N N&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;N N N<br \/>\nCel C C<br \/>\nEnunc E<\/p>\n<p>Esta maneira de suspender a direcionalidade harm\u00f4nica do enunciado mel\u00f3dico n\u00e3o \u00e9 privil\u00e9gio das can\u00e7\u00f5es figurativas cuja r\u00edtmica sil\u00e1bica \u00e9 independente do pulso, como o s\u00e3o Ouro de tolo e O estrangeiro. Dorival Caymmi, em O mar, serve-se deste mesmo recurso suspensivo trabalhando sobre uma figura r\u00edtmica exaustivamente reiterada. Isso mostra que, at\u00e9 de maneira surpreendente, o enunciado mel\u00f3dico \u00e9 tamb\u00e9m el\u00e1stico, assim como a entoa\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica. O que de fato conta parece ser a presen\u00e7a das balizas harm\u00f4nicas, os n\u00facleos das c\u00e9lulas, que estabelecem a predica\u00e7\u00e3o mel\u00f3dico-harm\u00f4nica e criam o efeito de sentido de que algo esta sendo enunciado musicalmente.<\/p>\n<p>&lt;075.09-12 e 13-18&gt;<br \/>\nS\u00edlaba PE dro vi vi a &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;raj A(25 sil)<br \/>\nTO dos gos ta vam&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;raj A(42 sil)<br \/>\n| | * | | | | |<br \/>\nNota N N N N N \u2026&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;N N<br \/>\nPulso P P P&#8230;&#8230;&#8230;..P<br \/>\nCel C C<br \/>\nEnunc E<br \/>\nAs caracter\u00edsticas compartilhadas por Ouro de Tolo e O estrangeiro levam-nos a pensar que a forma mel\u00f3dica tem um status superior \u00e0 for\u00e7a entoativa, no sentido de que qualquer can\u00e7\u00e3o tem que preservar os elementos estruturais m\u00ednimos da melodia para ser caracterizada como tal, sob o risco de diluir-se no curso da fala pura, perdendo como isso sua efic\u00e1cia.<\/p>\n<ul>\n<li aria-level=\"2\">\n<h2><b>Figurativiza\u00e7\u00e3o<\/b><\/h2>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 vimos que, segundo Tatit, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">a can\u00e7\u00e3o \u00e9 o lugar de encontro da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">forma mel\u00f3dica<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> com a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">for\u00e7a entoativa. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">A situa\u00e7\u00e3o de enuncia\u00e7\u00e3o a qual esta \u00faltima se vincula repele os princ\u00edpios que regem a forma mel\u00f3dica em favor da presentifica\u00e7\u00e3o da fala no corpo do sujeito da enuncia\u00e7\u00e3o. Desse modo, \u201co n\u00facleo entoativo da voz engata a can\u00e7\u00e3o na enuncia\u00e7\u00e3o produzindo efeito de tempo presente: algu\u00e9m cantando \u00e9 sempre algu\u00e9m dizendo, e dizer \u00e9 sempre aqui e agora\u201d<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Tatit denomina <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">figurativiza\u00e7\u00e3o <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">a<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">o procedimento de incorporar \u00e0 can\u00e7\u00e3o tra\u00e7os da fala.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> figurativiza\u00e7\u00e3o representa a verdadeira ant\u00edtese da forma mel\u00f3dica (que Tatit denomina tematiza\u00e7\u00e3o\/passionaliza\u00e7\u00e3o) e, exatamente por isso, deveria ser perfeitamente reconhec\u00edvel atrav\u00e9s de uma grade estrutural despida de recorr\u00eancias r\u00edtmicas. Isto se d\u00e1 exatamente porque a fala obedece ao livre fluxo das ideias, ou seja, a fala consiste num plano da express\u00e3o organizado pelo plano do conte\u00fado. Quando falamos n\u00e3o contamos o numero de s\u00edlabas e nem escolhemos conscientemente a distribui\u00e7\u00e3o dos acentos. Por isso, quando comparado \u00e0 m\u00fasica, o fluxo da fala \u00e9 ca\u00f3tico. Se a melodia tem\u00e1tica revela-se na grade estrutural pelas recorr\u00eancias, a melodia figurativa, ao contr\u00e1rio, tender\u00e1 a diluir os contrastes entre os motivos r\u00edtmicos. \u00c9 o que ocorre em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Conversa de Botequim.<\/span><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A grade estrutural mostra que a melodia<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">est\u00e1 longe de apresentar a isotopia r\u00edtmica de uma melodia tem\u00e1tica, embora as balizas harm\u00f4nicas do enunciado elementar estejam presentes, assim como a associa\u00e7\u00e3o nota-s\u00edlaba. De fato, o que h\u00e1 em comum na grade de uma melodia tem\u00e1tica como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Caju\u00edna<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> e de uma melodia figurativa como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Conversa de Botequim<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, \u00e9 a presen\u00e7a das duas c\u00e9lulas do enunciado elementar; o que distingue as respectivas grades, por outro lado, \u00e9 a aus\u00eancia de um padr\u00e3o r\u00edtmico na segunda, aus\u00eancia esta tamb\u00e9m revelada pela grade. Quanto mais figurativa a melodia, mais irregular \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o das notas, o que resulta na satura\u00e7\u00e3o dos valores (|). A melodia tem\u00e1tica, ao contr\u00e1rio, tende a manter uma distribui\u00e7\u00e3o regular de pausas (*) e valores na c\u00e9lula. Isso mostra o quanto a grade estrutural pode nos ajudar na identifica\u00e7\u00e3o de melodias figurativas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Samba do Arnesto <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00e9 outro exemplo did\u00e1tico desta satura\u00e7\u00e3o. \u00c0 medida que a melodia se desenvolve, as posi\u00e7\u00f5es na grade v\u00e3o sendo progressivamente ocupadas pelas notas. Compare-se a distribui\u00e7\u00e3o de valores no primeiro enunciado da can\u00e7\u00e3o (a) e na totalidade destes (b):\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&lt;0032.01&gt;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0* \u00a0 * \u00a0 * \u00a0 * \u00a0 | \u00a0 * \u00a0 | \u00a0 * \u00a0 | \u00a0 * \u00a0 | \u00a0 * \u00a0 | \u00a0 * \u00a0 | \u00a0 |\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nota \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 N\u00a0 \u00a0 \u00a0 &lt;N \u00a0 \u00a0 \u00a0 N \u00a0 \u00a0 \u00a0 N \u00a0 \u00a0 \u00a0 N \u00a0 \u00a0 \u00a0 N \u00a0 N\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&lt;0032.01-07&gt;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0| \u00a0 | \u00a0 | \u00a0 | \u00a0 | \u00a0 * \u00a0 | \u00a0 * \u00a0 | \u00a0 * \u00a0 | \u00a0 | \u00a0 | \u00a0 | \u00a0 | \u00a0 |\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nota \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 N \u00a0 N \u00a0 N \u00a0 N \u00a0 N\u00a0 \u00a0 \u00a0 &lt;N \u00a0 \u00a0 \u00a0 N \u00a0 \u00a0 \u00a0 N \u00a0 N \u00a0 N \u00a0 N \u00a0 N \u00a0 N\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O fato de que uma melodia figurativa possa ser projetada na grade estrutural n\u00e3o deveria ser surpreendente. Se, de fato, estas melodias t\u00eam sua origem nas entoa\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas, como quer Tatit, tais entoa\u00e7\u00f5es t\u00eam que se submeter aos imperativos do encadeamento harm\u00f4nico nos pontos chave, ou seja, nos n\u00facleos das c\u00e9lulas. \u00c9 exatamente isso o que a grade estrutural revela. Existem certos pontos de apoio r\u00edtmico e harm\u00f4nico que precisam ser preservados, caso contr\u00e1rio a melodia corre o risco de transfigurar-se em entoa\u00e7\u00e3o pura.\u00a0 A rigor, s\u00e3o os princ\u00edpios do tonalismo que est\u00e3o por tr\u00e1s do enunciado elementar. De fato, cada enunciado elementar \u00e9 apenas um segmento de uma totalidade maior, cuja rela\u00e7\u00e3o estrutural fundamental \u00e9 o movimento t\u00f4nica-dominante-t\u00f4nica<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. A grade de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Conversa de Botequim <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">mostra a import\u00e2ncia fundamental dos pontos de inflex\u00e3o mel\u00f3dica apoiados sobre os pulsos e os n\u00facleos das c\u00e9lulas. Eles formam uma esp\u00e9cie de estrutura profunda<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> da melodia, como se pode ver na melodia abaixo, da qual extra\u00edmos todos os contornos, com exce\u00e7\u00e3o daqueles que marcam os n\u00facleos das duas c\u00e9lulas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O enunciado mel\u00f3dico parece ser a mais extensa unidade da hierarquia mel\u00f3dica. 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